
Mesmo depois de o novo membro da família Button ter recebido um corte de cabelo, e de lho terem tingido de negro ralo e artificial, e depois de o terem barbeado até as suas feições brilharem, e de o terem vestido com roupa de rapazito feita à medida por um alfaiate estupefacto, era impossível que o senhor Button se esquecesse que o seu filho era uma triste desculpa de primogénito. Apesar de curvado pela idade, Benjamin Button - pois foi este o nome que lhe puseram, em vez do mais apropriado, mas injusto, Matusalém - media um metro e setenta e cinco centrímetros. A sua roupa era incapaz de dissimular este facto, da mesma forma que nem a depilação nem as sobrancelhas pintadas ocultavam o facto que os olhos que havia debaixo estavam apagados, aquosos e cansados. De facto, assim que a ama que os Button tinham contratado viu o recém-nascido, abandonou a casa num estado de considerável indignação.
Mas o senhor Button persistiu no propósito inamovível. Benjamin era um bebé, e devia ser tratado como um bebé.
(...)
F.S. Fitzgerald
O Estranho Caso De Benjamin Button, Impresa Publishing, 2010