Coquette - de origem francesa "coquette" significa sedutora, na gíria portuguesa pode significar vaidosa ou graciosa. Intelectual - que pertence ao intelecto ou à inteligência, espiritual.

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Dez 08

 

 

Nunca reflectira longamente sobre a forma como morreria - ainda que, ao longo dos meses anteriores, tivesse tido motivos de sobra para tal -, mas, mesmo que o tivesse feito, jamais teria imaginado que seria assim.

Olhei fixamente para o lado oposto da longa sala, sem respirar, fitando os olhos negros do caçador, e este lançou-me também um olhar amável.

Era decerto uma boa maneira de morrer: morrer no lugar de alguém, de alguém que eu amava. Chegava mesmo a ser nobre. Esse facto deveria ter alguma importância.

(...)

Quando a vida nos oferece um sonho ultrapassa largamente todas as nossas expectativas, não é razoável sentir pesar quando o mesmo chega ao fim.

O caçador sorria de um modo amistoso à medida que avançava vagarosamente para me matar.

 

Stephanie Meyer

Crepúsculo, Edições Gailivro, 4.ª Edição, 2008

publicado por coquetteintelectual às 23:50

 

Já alguma vez, leitor, teve aquela sensação de desejar que parem de lhe perguntar se já teve determinada sensação? Suponho que não. Digamos que não é uma sensação muito frequente. Confesso que também não posso dizer que a tenha tido. Mas tenho muitas vezes a seguinte sensação: parece-me que as coisas quase nunca são tão boas como as palavras que as designam. Mais: as coisas melhoram ou pioram consoante as palavras que as designam. Dou um exemplo: um bacalhau com batatas custa cinco euros. Mas um bacalhau braseado em lascas com batatas salteadas em azeite virgem não se encontra por menos de dez euros e meio - embora seja o mesmo bacalhau e as mesmas batatas. E, de facto, o segundo bacalhau sabe melhor. Os profissionais da restauração, linguistas subtis, descobriram o truque, e é por isso que as refeições estão cada vez mais caras.

O contrário também acontece. Vejamo como são as coisas: há dias, encontrava-me a bordo de um carro com motorista. O veículo tinha um taxímetro e uma placa luminosa com a palavra «táxi» no tejadilho, pelo que andei vários minutos convencido de que estava num táxi. Enfim, precipitações. Só dei pelo erro quando o motorista me disse: «Faz hoje dez anos que tenho o "táxe".»

Já tinha ouvido falar de taxistas que enganam as pessoas, mas isso era demais. Levar uma pessoa a acreditar que apanhou um táxi e depois, a meio caminho, informá-la assim, sem preparação nem cuidado, de que está dentro de um «táxe» pareceu-me cruel. Que diriam as pessoas que me esperavam para um encontro de extrema importância quando me vissem chegar num «táxe»? Continuariam a querer jogar à bola comigo ou cancelariam a partida?

(...)

É como vos dizia no início: a maneira de designar a realidade, às vezes, parece que coiso. Daí a necessidade de nos sabermos exprimir bem.

 

Ricardo Araújo Pereira

A Boca Do Inferno, Edições Tinta Da China, 2007  

publicado por coquetteintelectual às 17:31

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