Coquette - de origem francesa "coquette" significa sedutora, na gíria portuguesa pode significar vaidosa ou graciosa. Intelectual - que pertence ao intelecto ou à inteligência, espiritual.

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Nov 08

 

A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA

 

A beleza em cada ser é uma alegria eterna:

o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder

no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio

de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos

suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.

Comecemos, assim, a tecer em cada manhã

uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,

apesar do desalento, da ausência daqueles

cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,

de todos os caminhos insalubres e misteriosos,

abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,

uma forma de beleza afasta o sudário

das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,

as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar

a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos

e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios

que para si criam um dossel de frescura

durante as estações ardentes; os silvados do bosque

enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;

e, também, a magnificência do destino

que imaginamos para os mortos poderosos;

e as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:

fonte inesgotável duma imortal bebida,

que vem do limiar do céu e para nós se derrama.

 

E não é apenas durante algumas horas breves

que ficamos presos a estas essências; assim como as árvores

murmurando à volta dum templo logo se tornam

tão amadas como o próprio templo, também a lua

e a paixão da poesia, glórias inifinitas, tantas vezes

nos assombram, até serem uma luz vivificadora

para a alma, e tão estreitamente nos cingem

que, fique a brilhar o sol ou se apaguem os céus,

para sempre hão-de existir em nós, ou morreremos.

 

Tradução de Fernando Guimarães

Poesia Romântica Inglesa, Relógio D'Água, 1992

publicado por coquetteintelectual às 21:45

 

John Keats

 

Endymion (Excerpts)

 

BOOK I

 

A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkened ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season; the mid forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.

 

    Nor do we merely feel these essences
For one short hour; no, even as the trees
That whisper round a temple become soon
Dear as the temple's self, so does the moon,
The passion poesy, glories infinite,
Haunt us till they become a cheering light
Unto our souls, and bound to us so fast,
That, whether there be shine, or gloom o'ercast;
They always must be with us, or we die.

 

Everypoet.com Archive Of Classic Poems 

publicado por coquetteintelectual às 18:45

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